terça-feira, 23 de outubro de 2012

O homem sem coração

Um homem sem sentimentos,
Se ao menos um alento,
Um homem sem coração.

Se escondia atrás de suas mentiras
Que só traziam a ira
Das amizades que fez.

Não se importava com o próximo,
Mesmo o mais próximo
Da família que tinha.

Era simplesmente ganancioso,
Muitas vezes teimoso
Só para ganhar dinheiro.

Não se importava com as famílias
Que ele detinha
Das empresas que criou.

Simplesmente os explorava,
Muito mau ele tratava
Os seus subornados.

Não conseguia formar família
Por causa da ganancia que tinha
Já que as mulheres não o quiserem de vez.

Decidiu adotar uma criança,
Quem sabe havia esperança
Na pessoa que formaria.

Uma criança que ele amou,
Muito bem ele tratou
Quanto a nenhum outro fez.

Essa criança crescia
E tudo tinha
Mimado ele foi.

Tinha muita cultura
Para ficar a altura
Dos empresários cobiçosos.

Mas o inesperado aconteceu,
A criança cresceu
E cobiçoso não se formou.

Tentou ajudar o mundo
Com todo o seu fundo
Libertando muitos de cada vez.

Seu pai se chateava,
Não era o que ele esperava
Do filho que formou.

Tentou consertar o filho
Para que entrasse nos trilhos
E sem sentimentos fosse de vez.

Mas, por mais que ele tentava
Não dava em nada
As tentativas que ele fez.

Por fim, deserdou o filho
Como um mero castigo
Do erro que cometeu.

Seria muito ardiloso
Que os outros fossem bondoso
Dos erros que cometeu.

Sozinho ficaria,
Mesmo com todo o dinheiro que tinha
Só cobiçosos vinham aos seus pés.

Mas, não era o que ele queria,
Nem ao menos o que ele amaria
O filho que ele tinha.

Em fim, morreu infeliz
Sem ao menos o seu sentimento
Sem a sua cobiça.

Percebeu que assim como ele fora,
As pessoas também foram
Sem sentimento nenhum...

sábado, 20 de outubro de 2012

Quem é Você?



Quando crianças, vivemos a imaginar como incrível é o mundo dos adultos; como é fantástico poder fazer tudo, ter dinheiro para comprar o que quiser, poder sair para qualquer tipo de lugar, andar em qualquer brinquedo e várias outras coisas que nós crianças não podemos. Dentre as muitas fábulas elaboradas por nós, surge outra que pode durar muito além da fase infantil; aquela famosa pergunta:  O que seremos quando crescer? Só que o caminho de transição da adolescência para a fase adulta proporciona diversas mudanças inclusive de personalidade.

Os ideais quando somos jovens parecem bem claros, ou, pelo menos, deveriam parecer, mas a verdade é que muito desses ideais claros vão se fragmentando e pode chegar a desaparecer em certas pessoas; o mundo começa a modifica-la, onde ora havia uma criança, ou um adolescente, cheio de sonhos que criticava os políticos e a grande corrupção do mundo, hoje surge um homem que beneficia a aprovação de orçamento só para levar uma pequena porcentagem em cima dele. As pessoas vão mudando conforme o tempo, talvez porque queiram ou talvez não; talvez porque percebam que não adiantará brigar por aquilo que acha é correto a vida toda, mas não vale? Ou por ter perdido a fé naquilo que acredita. Nessas pessoas o pensamento de Rousseau se condensa: ‘ O homem é bom e a sociedade o corrompe. ’
Difícil acreditar, mas uma menina doce, simpática e gentil ao se tornar adulta pode se tornar egoísta, egocêntrica e prepotente, como também é triste ver um antigo jovem idealista dizer: ‘- Vou correr atrás do meu’. Eu ainda acredito que a maioria não é assim e não é mesmo, infelizmente, a minoria que essa mudança ocorre faz com que nós pensemos que o mundo é um lugar ruim de ser viver e que não há uma solução para corrigir isso. Conheço várias pessoas que apesar dos anos se passarem continuam as mesmas, são do mesmo jeito que eram quando as conhecia, na verdade, não, são melhores porque o tempo nos ensina a ser melhor conforme ele vai seguindo e os problemas são superados.

Sim, essa é uma visão romântica em um mundo naturalista, mas fazer o que? Ainda não mudei meu modo de pensar e continua acreditando nas mesmas coisas que acreditava quando era criança, inclusive, desde aquela época já sabia a resposta para a pergunta ‘o que você quer ser quando crescer?’; nunca foi uma dificuldade responde-la já que era uma palavra curta e simples: - Eu.

domingo, 14 de outubro de 2012

O Sol do Oriente



E em certo dia resolvi andar pelo mundo;
Ir até o lugar mais distante que eu pudesse;
Queria atravessar o Mediterrâneo profundo;
Andar pelas ruas em guerra pela prece.

Foi assim que tudo começou;
O Sol já não estava mais sobre nós;
O vento frio batia em mim, meu chapéu ele levou;
Temia que acabasse a sós.

Lá longe, no porto, eu avistava um navio;
A faixa dizia: Venha Ver o Sol do Oriente!
O estranho dizer tão logo me seduziu;
Segui em frente, segui em frente; ver o Sol do Oriente.

Noites longas e no meio das águas passaram-se;
Não contei quantas e nem quantos dias fiquei por ali;
A minha memória a cada vento secava-se;
Minha mente não estava em mim.

Até que então cheguei ao tal oriente;
Não era tão mágico como pensei;
Era sim um pouco, mas não muito, diferente;
Até que uma linda jovem eu avistei.

Era ela, o sol do oriente!
Tão brilhante seus olhos que mal podiam se abrir;
Acho que o sol das estrelas não queria uma concorrente;
Por isso, se tratou de com um chapéu encobrir.

O que aconteceu daqui pra frente não contarei;
Até porque essa história é minha;
O que deves saber é que eu a encontrei;
O lugar que estava procurando na primeira entrelinha

Uma viagem tão longa em tão triste;
Feita por um homem tão distante dele próprio;
Compreende em um segundo que a razão ainda existe;
Mas muitas vezes isso não está assim tão próximo.

domingo, 23 de setembro de 2012

Nem Sempre




Nem sempre um sorriso é sinal de felicidade;
Nem sempre o bom humor vai com a idade;
Nem sempre azul traz tranquilidade;
Nem sempre uma mulher vive de sensualidade.

Nem sempre os pássaros cantam de dia;
Nem sempre um mago tem magia;
Nem sempre uma pele é macia;
Nem sempre uma nordestina se chama Maria.

Nem sempre a lua está visível no céu;
Nem sempre um cowboy precisa usar seu chapéu,
Nem sempre para ser noiva precisa ter véu;
Nem sempre se sabe fazer um barquinho de papel.

Nem sempre uma lagrima carrega tristeza;
Nem sempre riqueza é sinônimo de nobreza;
Nem sempre um acerto traz certeza;
Nem sempre paz é sinônimo de limpeza.

Às vezes, o quadrado gira como um moinho;
Os sorrisos acompanham lagrimas pelo caminho;
Você não conhece e nem fala com seu vizinho;
E o padre não gosta de vinho.

Às vezes, para ser bom não precisa ser puro;
Às vezes, um homem tem medo de escuro;
A idade não define se você é maduro;
E um grande garoto não é adulto.

sábado, 15 de setembro de 2012

As Flores


Você já imaginou como o mundo seria tão chato se algumas coisas? Já imaginou como seria sem graça, tedioso, sonolento e irritante se não existissem algumas coisas? Como por exemplo, as flores. Você já imaginou como o mundo seria sem flores?

Imagine um mundo sem flores; um mundo os não existam jardins; onde não existam floriculturas; onde não existe aquele colorido bonito de uma pétala ou o aroma agradável de uma tulipa. O mundo perderia seu charme, seu romantismo, sua graça. Isso por conta de um mero ser que deixou de existir. Não existira mais o elogio ‘flor’. ‘Você é uma flor’ - essa frase não existiria afinal, o que é uma flor? É uma coisa boa ou ruim?

Os presentes. O que seriam deles? O que seriam das pessoas nos hospitais sem flores? O que seriam das mães sem flores? Das mulheres sem as flores? Essas mulheres que adoram ganhar uma flor, ou estou falando mentira? Elas dizem que não, mas se derretem toda quando um rapaz chega e lhes entrega um rosa para demonstrar o seu amor e carinho por ela. Mas flores morrem tão rápido. Três, quatro, uma semana? Quanto tempo dura uma flor? Mas o sentimento não dura tão pouco assim, ou pelo menos não deveria. Acho que uma flor não serviria para mim, a não ser que eu encontre uma flor que dure para sempre; uma flor que nunca morra e ultrapasse os sentidos da lógica; uma flor de plástico talvez; ou uma flor de chocolate, como as que vendem por ai. Pelo menos seria saborosa.

O que seria da arte da conquista sem as flores? Oh, Céus! Estaríamos perdidos! Entraríamos em extinção talvez. Tudo isso por conta de uma flor. A flor que serve de consolo; que arranca um sorriso. Flores que trazem tranquilidade e transformam o dia corrido em algo mais calmo, ou menos caótico; a flor que machuca a mão com os espinhos e conquista os olhos pela beleza; a flor que nasce, cresce, morre; que serve de alimento ao beija flor; a flor da idade; a flor do hoje, do amanhã e do sempre, tudo ao mesmo tempo; a flor das atitudes do ser humano, essa sim, a mais bela flor que há e que nunca pode deixar de existir.



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Se Existir Um Céu



Se existir um Céu, eu não quero e nem preciso que nele existam anjos ou santos; eu não quero e nem preciso que ele seja calmo e tranquilo como nos filmes; e nem que ele seja como um campo, todo verde e cheio de natureza, perfume e borboletas voando. Não é necessário. 

Se existir um Céu, eu não preciso e nem quero que lá seja silencioso, que toque música clássica e que todos fiquem na sua como se fossem desconhecidos; não quero que todos usem branco; não quero que eu esteja rodeado de pessoas que sempre agiram só de modo exemplar. Não quero.

Se existir um Céu, espero que ele seja como uma capsula de lembrança, onde nós possamos viver e reviver nossas memórias mais agradáveis; espero que seja um lugar que tenha tudo que nos agrade e deixe feliz; um lugar aonde eu possa me vestir como quiser; falar o que quiser; xingar quem eu quiser e gritar quando eu quiser.  

Se existir um Céu, espero que nesse lugar estejam todas as pessoas que erraram e que aprenderam, ou erraram e não aprenderam; espero que eu encontre lá todos os meus amigos e familiares; as pessoas que me fazem sentir bem; que me fazem sorrir e não querer ir embora. Se existir um Céu, e ele não for assim, sinceramente, eu não quero ir para o Céu.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sobre Drummond e A Pedra



Drummond poderia muito bem ter tirado, pulado ou contornado a pedra que estava no meio do caminho; poderia até mesmo não ter escrito sobre ela para ninguém. Por que não o fez, então?

Talvez porque Drummond quisesse sempre se lembrar da perda que tinha no meio do caminho; lembrar que não seria a primeira e muito menos o ultimo caminho que teria uma pedra. Pode ser que Drummond tenha escrito sobre a pedra para que aprendêssemos a estar atentos aos detalhes e as coisas mínimas e minúsculas que nos cercam; para que aprendêssemos a dar valor a elas e não menosprezar nada que há na Terra.

E se Drummond queria apenas ser diferente? E se ele apenas escreveu aquilo para questionar as coisas chatas e maçantes que se escreviam naquela época; escreveu para curar o atraso que havia na cultura naquela época e, ao mesmo tempo, cutucar os velhos e chatos escritores conservadores? Será?

Talvez sim, talvez não... Nunca saberemos; nunca seremos Drummond. O importante é que no meio caminho de Drummond tinha uma pedra; e no meio do caminho da pedra tinha Drummond.